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Burnout: esse velho conhecido do trabalho

Coffee and Work Lab Blog saude mental

De acordo com determinação da OMS, Burnout agora precisa ser uma preocupação das organizações, que precisam garantir um ambiente de trabalho saudável aos trabalhadores e às  trabalhadoras. Mas será simples assim?

Uma enxurrada de conteúdos relativos à Síndrome de Burnout tem tomado linhas e linhas em blogs internet a fora. Tudo porque (em maio de 2019) a Organização Mundial da Saúde finalmente incluiu a doença (a partir de 2022) na lista daquelas que são associadas ao exercício de uma atividade profissional.

De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (ICD-11), “o esgotamento mental e físico (burnout) é conceituada como uma síndrome resultante de um ambiente de trabalho provedor de estresse crônico e que não foi bem gerenciado” (OMS).

A iniciativa é interessante, principalmente pela possibilidade que temos de lidar com a doença seriamente, reduzindo ao máximo julgamentos, preconceitos e qualquer ridicularização envolvida no lidar com as situações vinculadas à produção.

 

Dados, por favor

Em outubro de 2021, a OMS lançou uma nova edição do Atlas de Saúde Mental. O documento mostra que em 2020 dos 194 países que constituem a organização:

  • 51% afirmam que sua política/ plano de saúde mental compreende instrumentos internacionais e regionais de direitos humanos (a meta era 80%).
  • 52% dos países cumpriram a meta que implica a criação de programas para promover a saúde mental (a meta também era 80%).
  • 25% dos países preencheram critérios para a integração da saúde aos processos de atenção primária à saúde.

Em abril de 2021, a McKinsey divulgou um estudo feito com trabalhadores e como as organizações tem lidado com o burnout. Resultado: quase metade dos empregados reportaram algum nível de exaustão. O mais interessante é notar uma das hipóteses para tanto estresse: indivíduos que sentem ansiedade devido a falta de comunicação organizacional em relação ao futuro estão mais propícios a vivenciarem o burnout.

 

Fala mais sobre esse tal de burnout

O termo burnout foi criado na década de 1970, pelo psicólogo norte-americano, Herbert Freudenberger para se referir às consequências de estresse severo e todo a pressão envolvida em profissões que envolvem “salvar vidas”, como médicos (NCBI). Atualmente, o risco de exaustão é reconhecido em todas as profissões.  

De acordo com um relatório da União Europeia de 2018, elementos determinantes para um ambiente de trabalho propício ao burnout são: riscos psicossociais, como demandas excessivas – muitas horas dedicadas a tarefas sem intervalos, aceleração das tarefas -, riscos ligados à profissões específicas ligadas aos serviços, além de conflitos decorrentes de questões éticas, conflitos de funções, insegurança legal, injustiças e para trazer uma citação direta do relatório:

[…] uma forma de trabalho insegura na qual os indivíduos não sentem pertencer e fazer a diferença para a empresa, mas acreditam que seus empregadores os veem como uma ferramenta”. (União Europeia, 2018, p. 15)

 

Sinais e sintomas

Depois de muito procurar uma maneira mais direta de reconhecer o burnout, o site do médico brasileiro Dráuzio Varela aparece como uma das fontes confiáveis e práticas para que possamos reconhecer a possibilidade de estar acometido pela síndrome e, sim, buscar ajuda profissional.

  • ausências no trabalho

Aqui vale pensar: você não está indo trabalhar por que está sentindo dores físicas, como por exemplo: dor de cabeça, enxaqueca, cansaço, sudorese, palpitação, pressão alta, dores musculares, insônia, crises de asma, distúrbios gastrintestinais, ou por que não tem vontade e está buscando alternativas para evitar de fazer o que está sem vontade?

  • agressividade, irritabilidade e mudanças bruscas de humor

Alguém próximo a você comentou algo ou mudou comportamentos em relação a você para lidar com qualquer possível expressão de raiva, explosão?

  • isolamento

 Você percebe alguma mudança na sua forma de se relacionar com outras pessoas?

Avaliar a si mesmo/a com base na leitura de textos sérios, conversar com pessoas próximas e consultar com um/a psicólogo/a pode ajudar no reconhecimento da síndrome e na busca por soluções.

Dicas para lidar com estresse e burnout

De acordo com o Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), algumas dicas para que possamos lidar com esses danadinhos, estresse e burnout, são:

  • Reorganize uma grande tarefa em outras menores
  • Permita-se um pouco de positividade (pense em 3 coisas pelas quais você se sente grato)
  • Faça exercícios (eu também não gosto, mas eles realmente impactam muito como o nosso corpo funciona, e importante lembrar, a mente faz parte do corpo)
  • Desafie os pensamentos: se algo parece ruim, questione esse algo ao ponto de confirmar o quão real ele é.
    • Ps. A terapia cognitivo-comportamental tem inúmeras estratégias para lidar com pensamentos. Procure um terapeuta.
  • Fale com alguém: um café com alguém querido pode ajudar, e muito, mas a ajuda profissional de um psicólogo é essencial para lidar com o estresse e exaustão.
Gislene Coffee and Work Lab

Gislene Feiten Haubrich é Doutora e Mestre em Processos e Manifestações Culturais. Dedica suas investigações aos estudos comunicacionais no contexto das organizações sob os enfoques da Ergologia, das teorias Bakhtiniana e Discursiva. Fale com: gislene@coffeeandwork.net.